quinta-feira, 29 de abril de 2010

MEDÉIA

Inspirada na obra de Eurípedes.
Direção de Marcelo Marchioro, com Claudete Pereira Jorge e Helena Portela.
Estreia dia 13 de maio, no Teatro Guaíra, a montagem da tragédia grega,MEDÉIA, com direção de Marcelo Marchioro, que volta aos palcos cinco anos depois de sua última direção, Pico na Veia. No elenco estão Claudete Pereira Jorge e Helena Portela. A peça é uma livre adaptação do texto original de Eurípedes (de 427 a.C.) Na montagem, as únicas personagens em cena são Medéia (Claudete Pereira Jorge) e sua Ama (Helena Portela). Todas as figuras masculinas foram suprimidas do texto original, assim como o coro.

A ação da peça se passa na cidade de Corinto, onde Jasão e Medéia vivem exilados com seus filhos. Tudo acontece em apenas um dia. A personagem é abandonada por Jasão, que vai se casar com a filha do rei Creonte, Glauce (na peça seu nome não é mencionado). Ameaçada ser expulsa da cidade, Medéia vinga-se matando a noiva, o rei e, por último, seus próprios filhos.

Medeía consegue que Jasão deixe seus filhos levarem presentes para Glauce, sob o pretexto de conseguir as boas graças da princesa para as crianças, que assim poderiam ficar com o pai. Dois presentes envenenados: um diadema e um véu que, imediatamente após serem vestidos, pegam fogo. Glauce morre com os piores tormentos. O rei, vendo a filha morrendo, tenta ajudá-la e também morre. Jasão corre para casa para castigar Medéia e lá encontra os filhos mortos.

O texto de Euripedes levanta algumas questões sobre a condição feminina na Grécia antiga. Medéia reflete sobre o que é ser mulher neste contexto, em que não pode recorrer ao exercício da pública razão para se defender judicialmente. Em suas lamentações, Medéia diz: “De todos os seres que possuem vida e inteligência, somos nós, mulheres, a mais infeliz criação; submetida às ordens dos homens, temos nossos filhos com dor e sofremos, impotentes, suas traições e caprichos”.

Esse trabalho marca o reencontro dos artistas Claudete Pereira Jorge e Marcelo Marchioro, parceiros de longa data. Com Marcelo, Claudete fez alguns dos trabalhos mais relevantes de sua carreira, incluindo uma adaptação da tragédia Édipo Rei( de Sófocles), de autoria do inglês Steven Berkoff, que lhe rendeu o troféu Gralha Azul de melhor atriz no ano 2000. Com o músico Otávio Camargo, outro parceiro artístico de Claudete, apresentou o Canto I, da Ilíada de Homero, em algumas cidades brasileiras e também na Grécia, no ano de 2007. Claudete tem interesse na montagem de textos clássicos. Além do reencontro com Marcelo Marchioro, a montagem de MEDÉIA celebra a parceria com Helena Portela (sua filha, com quem já havia feito a peça Final do Mês, de Alexandre França). Com a união de artistas do calibre de Marcelo Marchioro, Claudete Pereira Jorge e Helena Portela, apresenta-se ao público de Curitiba nos meses de maio de junho no Teatro Guairinha.


Equipe de Criação:

Inspirada na obra de Eurípedes

Direção de Marcelo Marchioro

Com Claudete Pereira Jorge e Helena Portela

Assistente de Direção Cléber Braga

Direção de Movimento e Preparação Vocal Kátia Drumond

Trilha Original Troy Rossilho

Iluminação Erica Mitiko

Cenários e Figurinos Ricardo Garanhani

Assessoria de imprensa Fernando de Proença

Fotografia Gilson Camargo

Programação Visual Foca

Produção NBP Produções

Assistente de Produção Maia Piva

De 13 Maio à 20 Junho de 2010

TEATRO GUAÍRA – GUAIRINHA

sexta à sábado 21h00
domingo 19h00

ingressos: R$20,00 e R$10,00 (meia entrada)

AGENDAMENTO DE ENTREVISTAS

Com Fernando de Proença (assessor de imprensa) nos telefones: 41.9642.4841 e 41.33872383

E pelo correio eletrônico fernandodeproenca@hotmail.com

terça-feira, 27 de abril de 2010

O Teatro Grego

– Sempre-

Entre as artes cênicas – teatro, dança, circo e ópera – a dança, “música em movimentos” e o teatro, tiveram origem na Grécia antiga.
A dança primeiro e depois o teatro, nasceram das cerimônias de oferendas a Dionísio/Baco, o deus do êxtase, do prazer, da ânsia de viver, do vinho embriagador.
A cultura grega – por sua excelência – conquistou os primeiros povos que invadiram o país, macedônios e romanos, que encantados por ela a difundiram no mundo, à época, conhecido.
A Grécia é a base fértil da civilização ocidental, por suas magníficas obras artístico-culturais, por suas filosofias, por ter criado a democracia.
O teatro mereceu especial destaque. No teatro de Dionísio, entre os muitos existentes naquela terra, construído ao pé da Acrópole em Atenas, realizaram anualmente concurso para premiar tragédias e comédias escritas por soberbos autores/dramaturgos.
Por quê as obras teatrais atraiam o público em grande escala? Por quê tornaram-se imortais?
Porque levavam e levam as plateias, para entretenimento e reflexão, a condição humana. Nossas escolhas de vida entre o bem e o mal. Porque abordam o âmago de cada um e da sociedade. Abordam sobre os heróis, sobre os poderes e o comportamento dos deuses olímpicos, esses, em tudo iguais aos seres humanos, em temperamentos e interesses.
Os textos teatrais gregos tratam da mitologia e dos acontecimentos passados e recentes. Mostram o que somos – desde sempre – e o que fazemos em nossa passagem por este mundo.
Como Shakespeare – muito depois – os dramaturgos gregos já colocaram em cena tudo do que somos capaz, na trilha de caminhos de flores ou de espinhos.
O teatro grego permaneceu vibrante através dos milênios, porque falou sobre temas e personagens que são os mesmos,até nossos dias.
Sua fundamental importância e sua perenidade vêm da lúcida descrição da nossa mente e do nosso espírito, desde que pisamos na terra.

Yara Sarmento
atriz

Tragédia Grega

Gota d'Água

Albúm de fotos

Medeia

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A tragédia de uma mulher transgressora

Claudete Pereira Jorge e Helena Portela ensaiam para o espetáculo Medeia, que estreia no Guairinha dia 6 de maio. Será o retorno do diretor Marcelo Marchioro aos palcos, cinco anos depois de Pico na Veia.
O diretor Marcelo Marchioro e a atriz Claudete Pereira Jorge estão prestes a realizar o desejo antigo de montar Medeia, a tragédia infanticida. Chegaram a pensar em fazer um solo, mas acabaram alterando o plano para incluir em cena a filha de Claudete, a também atriz Helena Portela. À jovem coube o papel da ama, uma espécie de extensão da protagonista: sua cúmplice e a indutora de seus crimes.

Pela voz da ama ecoam as falas dos outros personagens que habitariam a tragédia escrita por Eurípedes em 431 a.C, mas foram suprimidos nesta versão. As únicas figuras masculinas preservadas viraram imagens estáticas: não passam de uma sombra (provável solução para a presença de Jasão, o marido que abandona Medeia) ou um estandarte (o rei Creonte) ao fundo do palco. Nessa operação, perto de metade do texto original foi subtraído.



Helena Portela, filha de Claudete, interpreta a ama que induz Medeia ao infanticídio

Claudete Pereira Jorge como Medeia: a condição feminina no casamento e na sociedade
Bastidores

Saiba mais sobre a montagem

Cenário

A maquete do cenário, feita pelo figurinista e cenógrafo Ricardo Garanhani, fica à espreita durante os ensaios, num canto da sala. O palco do Guairinha será coberto de tons terrosos e ganhará nichos de alturas variadas, por onde Medeia sobe e desce, conforme os níveis de seu discurso, com picos de ódio e frieza. Haverá também um fio de água vermelha escorrendo, até que forme um alagadiço em torno de uma pequena ilha. O berço das crianças é desvelado ao fundo, quando se afastam algumas tiras de juta pendentes.

Intuitiva

Para descobrir como deveria compor o corpo e a voz de Medeia, Claudete Pereira Jorge diz ter ouvido sua intuição. Também se submeteu aos olhares alheios, que lhe ajudaram a perceber, por exemplo, que Medeia é uma mulher que não se deixa abater, sempre altiva.

Trágica

Claudete já havia atuado em Medeamaterial, a versão de Heiner Mueller, dirigida por Mariana Percovich. Antes, fez À Grega, de Marcelo Marchioro, inspirado no Édipo Rei, e ainda Ilíada – Canto 1, dirigida por Otávio Camargo.

Serviço: Medeia. Guairinha (R. XV de Novembro, s/n.º), (41) 3315-0979. Texto de Eurípedes. Direção de Marcelo Marchioro. Com Claudete Pereira Jorge e Helena Portela. Estreia dia 6 de maio, às 21 horas. Sexta e sáb. às 21h e dom. às 19h. Ingressos a confirmar.

Cinco anos se passaram desde que Marcelo Marchioro dirigiu suas últimas montagens, a peça Pico na Veia e a ópera Gianni Schicchi, de Puccini. De volta à ativa, o diretor se dedica a um texto clássico, identificando nele atualidade e proximidade: “Nossa vida é uma tragédia”, diz justificando por que montar a peça agora. E completa: “A Medeia é nossa vida. Na semana passada, um homem matou dois filhos e se jogou de um prédio.”

Os ensaios para o espetáculo que estreia dia 6 de maio, no Guairinha, acontecem na ampla sala da casa de Otávio Camargo, sede da Fundação Ilíada Homero. O momento é de marcação das cenas, quando, já com o texto memorizado, decide-se a movimentação de cada uma das atrizes no desenrolar da trama, suas ações e que objetos trarão ao palco.

Na tarde de ensaio acompanhada pela reportagem da Gazeta do Povo, duas cumbucas de metal, uma indiana e uma egípcia, foram incorporadas: quando circundadas por pilões, tangenciando suas bordas, as peças produzem um som contínuo e crescente, que irrompe do silêncio no qual as personagens mergulharam preparando o veneno mortífero. Está nos planos do grupo manusear também um tear e folhas, de modo a criar uma sonoplastia viva.

Helena entrou um pouco mais tarde no projeto, mas sua participação é atuante. A atriz não se contenta em cumprir seu papel e entoar lamentos. Nos bastidores, sugere gestos, tempos, silêncios. É sua a ideia de que Jasão tome a forma de uma sombra, de início maior do que a figura carnal de Medeia, mas que diminui e a iguala em proporção quando discutem e a mulher lhe cobra suas falhas. “Meu figurino podia ser no tom exato do cenário, para eu desaparecer às vezes”, propõe também.

Sua ama se relaciona com Medeia como um “duplo”. Para manter o contraponto, as duas atrizes têm movimentos simultâneos e semelhantes, e Helena está proibida de sair do cenário mesmo quando sua personagem não se envolve na ação – “nem que vire pedra”, em algum lugar visível ao público ela deve permanecer.

“Sou um diretor liberal”, diz Marchioro. Ele ouve as sugestões e acata, ou já responde que está “uma bosta”, aos risos. A seu lado, encontra-se a diretora de movimento Kátia Drummond. Ainda por perto, o assistente de direção Cléber Braga.

Eles estão ensaiando há um mês e meio. Antes, passaram pelo período do trabalho de mesa, decupando o texto, lendo e buscando referências de outras montagens e dos vários mitos associados à Medeia. No início desta semana, começarão os ensaios no Guairinha – a instituição é apoiadora do espetáculo, que tem patrocínio do Mecenato municipal.

“Dono”

Eurípedes foi trangressor ao escrever a tragédia criando um coro feminino e uma personagem, ela mesma, transgressora. Numa de suas primeiras falas, Medeia situa qual o papel feminino na sociedade ateniense de então. Algo como ter de achar um “dono” para o seu corpo (o marido), sem saber se seu caráter será bom ou mau, e a partir disso se esforçar para acertarem a convivência. É uma mulher que reivindica cidadania.

“Medeia era uma bárbara. Veio de uma sociedade matriarcal e se viu, por amor, na sociedade grega onde a mulher não tinha a menor voz, onde o filho é do pai, não da mãe. Ela traiu pai e mãe e matou o irmão por esse homem. Está perdida, sendo banida, e seus filhos com certeza serão mortos”, descreve Claudete. E conclui, sobre essa mulher contraditória: “Matar os filhos não é só vingança, é extinto de proteção.”


Bastidores

Saiba mais sobre a montagem

Cenário

A maquete do cenário, feita pelo figurinista e cenógrafo Ricardo Garanhani, fica à espreita durante os ensaios, num canto da sala. O palco do Guairinha será coberto de tons terrosos e ganhará nichos de alturas variadas, por onde Medeia sobe e desce, conforme os níveis de seu discurso, com picos de ódio e frieza. Haverá também um fio de água vermelha escorrendo, até que forme um alagadiço em torno de uma pequena ilha. O berço das crianças é desvelado ao fundo, quando se afastam algumas tiras de juta pendentes.

Intuitiva

Para descobrir como deveria compor o corpo e a voz de Medeia, Claudete Pereira Jorge diz ter ouvido sua intuição. Também se submeteu aos olhares alheios, que lhe ajudaram a perceber, por exemplo, que Medeia é uma mulher que não se deixa abater, sempre altiva.

Trágica

Claudete já havia atuado em Medeamaterial, a versão de Heiner Mueller, dirigida por Mariana Percovich. Antes, fez À Grega, de Marcelo Marchioro, inspirado no Édipo Rei, e ainda Ilíada – Canto 1, dirigida por Otávio Camargo.

Serviço: Medeia. Guairinha (R. XV de Novembro, s/n.º), (41) 3315-0979. Texto de Eurípedes. Direção de Marcelo Marchioro. Com Claudete Pereira Jorge e Helena Portela. Estreia dia 6 de maio, às 21 horas. Sexta e sáb. às 21h e dom. às 19h. Ingressos a confirmar.


Fonte: Gazeta do Povo