terça-feira, 18 de maio de 2010

sábado, 15 de maio de 2010

Medéia estréia com muitos aplausos


MedeiaA estréia de Medéia, baseada na tragédia de Eurípes, contou com um público que lotou o Guairinha para assistir ao espetáculo que marca o retorno do diretor Marcelo Marchioro aos palcos de Curitiba, após cinco anos de ausência. A adaptação apresenta somente as duas figuras, femininas, de Medeia e sua ama, que são vividas por Claudete Pereira Jorge e Helana Portela. O coro e as figuras marculinas, presentes no original, foram retirados, dando força à representação das questões femininas que a obra contém.

Com cenários e figurinos criados por Ricardo Garanhani, que emprestam um visual que por si só já cria o clima da tragédia, as atrizes Claudete e Helena se apresentaram de forma impecável e emocionaram os espectadores com interpretações soberbas.

MedeiaUma das presenças à noite de estréia foi Letícia Sabatela que comentou: “É muito gratificante ver a interpretação dessas duas atrizes maravilhosas, Claudete e Helena, num espetáculo tão competente e bonito concebido pelo Marcelo Marchioro.”

Euripedes escreveu “Medeia” no ano 431 AC e retrata o perfil psicológico de uma mulher cheia de um amor transformado em ódio, motivado pela traição do marido Jasão.

Medeia é a esposa repudiada e estrangeira perseguida, que se rebela contra o todos que a rodeiam. No extremo de sua crise de fúria, providencia a morte do rei Creonte e de sua filha e mata os filhos que teve com o Jasão, para vingar-se do marido.

A tragédia acontece em Corinto, cidade grega, local onde se refugiaram Medeia e seu marido Jasão após terem fugido da Cólquida, cidade situada no oriente e considerada bárbara, em oposição aos gregos civilizados.

Jasão deixa Medeia para se casar com a filha do rei de Corinto, Creonte. Sentindo-se abandonada, humilhada e ameaçada de ser expulsa da cidade, ela se vinga matando o rei, a princesa que roubou seu amado, e seus próprios filhos.

A montagem tem o apoio do Centro Cultural Teatro Guaíra, e é direção de Marcelo Marchioro, cujo último trabalho foi “Pico na Veia”, de Dalton Trevisan, produzido pelo Teatro de Comédia do Paraná.

Ficha técnica: Texto inspirado na obra de Eurípedes. Direção de Marcelo Marchioro. Elenco: Claudete Pereira Jorge e Helena Portela. Assistente de Direção Cléber Braga. Trilha Original Troy Rossilho. Iluminação Erica Mitiko. Cenários e Figurinos Ricardo Garanhani. Produção NBP Produções.

Fonte: Site Teatro Guaíra

sexta-feira, 14 de maio de 2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Crueldade demasiada humana


Medeia, adaptação de texto de Eurípedes, com direção de Marcelo Marchioro, estreia amanhã no Guairinha

É bem provável que, depois de passar 50 minutos dentro do Guai­­rinha conferindo Medeia (confira o serviço), o espectador venha a pisar na calçada da Rua XV confirmando a tese de que a crueldade é inerente ao ser humano, e não tem fim nem limites. Afinal, crimes como o cometido por Me­­deia, que matou os dois filhos, continuam acontecendo. A recente tragédia provocada pelo casal Anna Jatobá e Ale­­xandre Nardoni apenas confirma a argumentação.

A montagem, realmente, deve provocar repercussão, a começar pelo fato de que tem a assinatura de Marcelo Marchioro. O renomado diretor escolheu o texto de Eurípedes por vários motivos. Também, para evidenciar como a mulher, representada por Medeia, continua sem vez e sem voz na sociedade. O recorte que ele fez do texto faz dessa encenação, acima de tudo, um olhar sobre o universo feminino. E isso já se revela pela escolha do elenco.

O público terá a oportunidade de ver Claudete Pereira Jorge, 55 anos, e Helena Portela, 30, respectivamente, mãe e filha em cena. Elas já dividiram o palco em Final do Mês, de Alexandre França, há dois anos, mas, desta vez, o desafio adquire outra dimensão. E nem poderia ser diferente: trata-se de um texto que sobrevive, e fica cada vez mais forte, desde a Grécia Antiga.

Força-tarefa

Marchioro, Claudete e Helena estão envolvidos com esse projeto faz um ano. Consultaram diversas fontes: filmes, óperas, livros. Du­­rante dois meses, ensaiaram na sala da casa do Octávio Camargo, que ajudou, principalmente, Clau­­dete a afinar as falas. “O Camargo é um músico que me fez perceber que toda frase também é música, e o público vai sentir que, ao falar, também estarei muito melódica”, diz Claudete.

No palco do Guairinha, estarão duas atrizes: Claudete, que dará complexidade a Medeia, e Helena, a interpretrar a Ama, que ainda enunciará falas de outros personagens, apesar de ela não modificar, em nenhum momento, a entonação. Helena também vai cantar em cena, a partir da trilha sonora gravada por Troy Rossilho.

O trio central da montagem salienta que houve muitas pessoas torcendo para Medeia dar certo. E não foi apenas torcida: a montagem contou com um time de apoio em ação. Foca Cruz fez a programação visual; a direção de movimento e a preparação vocal são de Katia Drummond; Cléber Braga é o assistente de direção; a iluminação ficou sob responsabilidade de Erica Mitiko; e a Ricardo Garanhani coube a elaboração dos cenários e figurinos.

A sombra que pesa

Mas, apesar de todo esse apoio, Marchioro salienta que Medeia pode ser definida como “pa-pum”. “Ou seja, é teatro feito a partir de um bom texto e elenco de primeira qualidade”, ressalta o diretor. De “efeitos especiais”, a plateia verá uma quantidade de água sendo despejada no palco em uma das cenas que an­­tecedem o encerramento da apre­­sentação. Fora isso, é o “pa-pum”, expressão que Marchioro usa para se referir ao teatro que ele realiza e gosta de assitir: uma peça que acontece sem que o espectador se dê conta que passou.

Helena, depois dessa imersão no imaginário grego, percebe que os pontos de contato dos tempos de Eurípedes com o presente são muitos. A violência, cita a atriz, é a questão mais evidente. Mas, pondera, naquele período tudo era mais direto. “Na Grécia Antiga, as pessoas matavam e não escondiam de ninguém as suas atitudes. Hoje, realmente, é a era da hipocrisia. Tudo é camuflado”, afirma.

Claudete, por sua vez, tem a impressão de que o público que assistir a Medeia vai entender por que dizem que o tempo passa e quase tudo permance igual. “Os problemas do ser humano são os mesmos, apesar de que a capacidade de oprimir o semelhante e cometer crueldades tem se aprimorado com o passar do anos”, finaliza.


Fonte: Gazeta do Povo

Publicado em 12/05/2010 | Marcio Renato dos Santos

Medeia estreia

A montagem Medeia, inspirada na obra de Eurípedes e com direção de Marcelo Marchioro, teve a data de estreia alterada. Agora, ela deve ganhar o palco do Guairinha no dia 13 de maio, uma quinta-feira, e permanecer em cartaz até 20 de junho.

A peça terá sessões sexta-feira e sábado, às 21 horas, e domingo, às 19 horas. Os ingressos custarão R$ 20 e R$ 10.

O elenco do espetáculo conta com Claudete Pereira Jorge e Helena Portela. A adaptação de Medeia é a realização de um desejo antigo de Marchioro e Claudete. Pensaram em fazer uma peça-solo, mas mudaram de ideia e incluíram Helena, filha de Claudete, no papel da ama que é cúmplice da protagonista.

A tragédia foi escrita por Eurípedes em 431 a.C. Além de Medeia e da ama, existem outros personagens no texto original que a adaptação optou por não destacar.


Fonte: Gazeta do Povo

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Medéia na mídia eletrônica

Pesquisa por Proença, assessor de Imprensa:

http://www.parana-online.com.br/editoria/almanaque/news/445693/?noticia=MEDEIA+MARCA+O+RETORNO+DO+DIRETOR+MARCELO+MARCHIORO

http://www.bemparana.com.br/index.php?n=143585&t=medeia-estreia-nos-palcos-de-curitiba

http://jornale.com.br/portal/entretenimento/142-04-entretenimento/3467-medeia-estreia-no-guaira-em-13-de-maio.html

http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=996040&tit=A-tragedia-de-uma-mulher-transgressora

http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=996646&tit=Medeia-tem-data-de-estreia-alterada

http://www.guiadasemana.com.br/Curitiba/Musica_e_Artes/Evento/Medeia.aspx?id=64856

http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:e899gt05v4QJ:diariopopularpr.com.br/index.php%3Foption%3Dcom_content%26view%3Darticle%26id%3D24927+%22med%C3%A9ia+marcelo+marchioro%22&cd=7&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

http://guia.gazetadopovo.com.br/teatro/medeia/1403/901/

http://www.documentoreservado.com.br/site/cultura/espetaculos

http://www.descubracuritiba.com.br/?s=teatro&ss=busca&p=4

http://www.bemparana.com.br/index.php?n=143585&t=equotmedeiaequot-estreia-nos-palcos-de-curitiba

http://portal.rpc.com.br/jm/online/conteudo.phtml?tl=1&id=996040&tit=A-tragedia-de-uma-mulher-transgressora

http://www.parana-online.com.br/editoria/almanaque/news/445693/?noticia=MEDEIA+MARCA+O+RETORNO+DO+DIRETOR+MARCELO+MARCHIORO

http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=56374&tit=Marcelo-Marchioro-volta-ao-palco-do-Guairinha-na-direcao-de-Medeia&ordem=900000

http://www.bemparana.com.br/index.php?n=143585&t=equotmedeiaequot-estreia-nos-palcos-de-curitiba

http://www.bemparana.com.br/index.php?n=144346&t=medeia-sem-homens-e-sem-coro

http://www.parana-online.com.br/editoria/almanaque/news/446767/?noticia=TRAGEDIA+ADAPTADA+AOS+DIAS+ATUAIS+NO+GUAIRINHA


POR ANO SÃO ENCONTRADOS 609.000 SITES QUE ROUBAM DADOS. VEJA COMO SE PROTEGER AQUI.


USE O MESSENGER DENTRO DO HOTMAIL SEM PRECISAR INSTALAR NADA. CLIQUE PARA VER COMO.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Programa


quinta-feira, 29 de abril de 2010

MEDÉIA

Inspirada na obra de Eurípedes.
Direção de Marcelo Marchioro, com Claudete Pereira Jorge e Helena Portela.
Estreia dia 13 de maio, no Teatro Guaíra, a montagem da tragédia grega,MEDÉIA, com direção de Marcelo Marchioro, que volta aos palcos cinco anos depois de sua última direção, Pico na Veia. No elenco estão Claudete Pereira Jorge e Helena Portela. A peça é uma livre adaptação do texto original de Eurípedes (de 427 a.C.) Na montagem, as únicas personagens em cena são Medéia (Claudete Pereira Jorge) e sua Ama (Helena Portela). Todas as figuras masculinas foram suprimidas do texto original, assim como o coro.

A ação da peça se passa na cidade de Corinto, onde Jasão e Medéia vivem exilados com seus filhos. Tudo acontece em apenas um dia. A personagem é abandonada por Jasão, que vai se casar com a filha do rei Creonte, Glauce (na peça seu nome não é mencionado). Ameaçada ser expulsa da cidade, Medéia vinga-se matando a noiva, o rei e, por último, seus próprios filhos.

Medeía consegue que Jasão deixe seus filhos levarem presentes para Glauce, sob o pretexto de conseguir as boas graças da princesa para as crianças, que assim poderiam ficar com o pai. Dois presentes envenenados: um diadema e um véu que, imediatamente após serem vestidos, pegam fogo. Glauce morre com os piores tormentos. O rei, vendo a filha morrendo, tenta ajudá-la e também morre. Jasão corre para casa para castigar Medéia e lá encontra os filhos mortos.

O texto de Euripedes levanta algumas questões sobre a condição feminina na Grécia antiga. Medéia reflete sobre o que é ser mulher neste contexto, em que não pode recorrer ao exercício da pública razão para se defender judicialmente. Em suas lamentações, Medéia diz: “De todos os seres que possuem vida e inteligência, somos nós, mulheres, a mais infeliz criação; submetida às ordens dos homens, temos nossos filhos com dor e sofremos, impotentes, suas traições e caprichos”.

Esse trabalho marca o reencontro dos artistas Claudete Pereira Jorge e Marcelo Marchioro, parceiros de longa data. Com Marcelo, Claudete fez alguns dos trabalhos mais relevantes de sua carreira, incluindo uma adaptação da tragédia Édipo Rei( de Sófocles), de autoria do inglês Steven Berkoff, que lhe rendeu o troféu Gralha Azul de melhor atriz no ano 2000. Com o músico Otávio Camargo, outro parceiro artístico de Claudete, apresentou o Canto I, da Ilíada de Homero, em algumas cidades brasileiras e também na Grécia, no ano de 2007. Claudete tem interesse na montagem de textos clássicos. Além do reencontro com Marcelo Marchioro, a montagem de MEDÉIA celebra a parceria com Helena Portela (sua filha, com quem já havia feito a peça Final do Mês, de Alexandre França). Com a união de artistas do calibre de Marcelo Marchioro, Claudete Pereira Jorge e Helena Portela, apresenta-se ao público de Curitiba nos meses de maio de junho no Teatro Guairinha.


Equipe de Criação:

Inspirada na obra de Eurípedes

Direção de Marcelo Marchioro

Com Claudete Pereira Jorge e Helena Portela

Assistente de Direção Cléber Braga

Direção de Movimento e Preparação Vocal Kátia Drumond

Trilha Original Troy Rossilho

Iluminação Erica Mitiko

Cenários e Figurinos Ricardo Garanhani

Assessoria de imprensa Fernando de Proença

Fotografia Gilson Camargo

Programação Visual Foca

Produção NBP Produções

Assistente de Produção Maia Piva

De 13 Maio à 20 Junho de 2010

TEATRO GUAÍRA – GUAIRINHA

sexta à sábado 21h00
domingo 19h00

ingressos: R$20,00 e R$10,00 (meia entrada)

AGENDAMENTO DE ENTREVISTAS

Com Fernando de Proença (assessor de imprensa) nos telefones: 41.9642.4841 e 41.33872383

E pelo correio eletrônico fernandodeproenca@hotmail.com

terça-feira, 27 de abril de 2010

O Teatro Grego

– Sempre-

Entre as artes cênicas – teatro, dança, circo e ópera – a dança, “música em movimentos” e o teatro, tiveram origem na Grécia antiga.
A dança primeiro e depois o teatro, nasceram das cerimônias de oferendas a Dionísio/Baco, o deus do êxtase, do prazer, da ânsia de viver, do vinho embriagador.
A cultura grega – por sua excelência – conquistou os primeiros povos que invadiram o país, macedônios e romanos, que encantados por ela a difundiram no mundo, à época, conhecido.
A Grécia é a base fértil da civilização ocidental, por suas magníficas obras artístico-culturais, por suas filosofias, por ter criado a democracia.
O teatro mereceu especial destaque. No teatro de Dionísio, entre os muitos existentes naquela terra, construído ao pé da Acrópole em Atenas, realizaram anualmente concurso para premiar tragédias e comédias escritas por soberbos autores/dramaturgos.
Por quê as obras teatrais atraiam o público em grande escala? Por quê tornaram-se imortais?
Porque levavam e levam as plateias, para entretenimento e reflexão, a condição humana. Nossas escolhas de vida entre o bem e o mal. Porque abordam o âmago de cada um e da sociedade. Abordam sobre os heróis, sobre os poderes e o comportamento dos deuses olímpicos, esses, em tudo iguais aos seres humanos, em temperamentos e interesses.
Os textos teatrais gregos tratam da mitologia e dos acontecimentos passados e recentes. Mostram o que somos – desde sempre – e o que fazemos em nossa passagem por este mundo.
Como Shakespeare – muito depois – os dramaturgos gregos já colocaram em cena tudo do que somos capaz, na trilha de caminhos de flores ou de espinhos.
O teatro grego permaneceu vibrante através dos milênios, porque falou sobre temas e personagens que são os mesmos,até nossos dias.
Sua fundamental importância e sua perenidade vêm da lúcida descrição da nossa mente e do nosso espírito, desde que pisamos na terra.

Yara Sarmento
atriz

Tragédia Grega

Gota d'Água

Albúm de fotos

Medeia

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A tragédia de uma mulher transgressora

Claudete Pereira Jorge e Helena Portela ensaiam para o espetáculo Medeia, que estreia no Guairinha dia 6 de maio. Será o retorno do diretor Marcelo Marchioro aos palcos, cinco anos depois de Pico na Veia.
O diretor Marcelo Marchioro e a atriz Claudete Pereira Jorge estão prestes a realizar o desejo antigo de montar Medeia, a tragédia infanticida. Chegaram a pensar em fazer um solo, mas acabaram alterando o plano para incluir em cena a filha de Claudete, a também atriz Helena Portela. À jovem coube o papel da ama, uma espécie de extensão da protagonista: sua cúmplice e a indutora de seus crimes.

Pela voz da ama ecoam as falas dos outros personagens que habitariam a tragédia escrita por Eurípedes em 431 a.C, mas foram suprimidos nesta versão. As únicas figuras masculinas preservadas viraram imagens estáticas: não passam de uma sombra (provável solução para a presença de Jasão, o marido que abandona Medeia) ou um estandarte (o rei Creonte) ao fundo do palco. Nessa operação, perto de metade do texto original foi subtraído.



Helena Portela, filha de Claudete, interpreta a ama que induz Medeia ao infanticídio

Claudete Pereira Jorge como Medeia: a condição feminina no casamento e na sociedade
Bastidores

Saiba mais sobre a montagem

Cenário

A maquete do cenário, feita pelo figurinista e cenógrafo Ricardo Garanhani, fica à espreita durante os ensaios, num canto da sala. O palco do Guairinha será coberto de tons terrosos e ganhará nichos de alturas variadas, por onde Medeia sobe e desce, conforme os níveis de seu discurso, com picos de ódio e frieza. Haverá também um fio de água vermelha escorrendo, até que forme um alagadiço em torno de uma pequena ilha. O berço das crianças é desvelado ao fundo, quando se afastam algumas tiras de juta pendentes.

Intuitiva

Para descobrir como deveria compor o corpo e a voz de Medeia, Claudete Pereira Jorge diz ter ouvido sua intuição. Também se submeteu aos olhares alheios, que lhe ajudaram a perceber, por exemplo, que Medeia é uma mulher que não se deixa abater, sempre altiva.

Trágica

Claudete já havia atuado em Medeamaterial, a versão de Heiner Mueller, dirigida por Mariana Percovich. Antes, fez À Grega, de Marcelo Marchioro, inspirado no Édipo Rei, e ainda Ilíada – Canto 1, dirigida por Otávio Camargo.

Serviço: Medeia. Guairinha (R. XV de Novembro, s/n.º), (41) 3315-0979. Texto de Eurípedes. Direção de Marcelo Marchioro. Com Claudete Pereira Jorge e Helena Portela. Estreia dia 6 de maio, às 21 horas. Sexta e sáb. às 21h e dom. às 19h. Ingressos a confirmar.

Cinco anos se passaram desde que Marcelo Marchioro dirigiu suas últimas montagens, a peça Pico na Veia e a ópera Gianni Schicchi, de Puccini. De volta à ativa, o diretor se dedica a um texto clássico, identificando nele atualidade e proximidade: “Nossa vida é uma tragédia”, diz justificando por que montar a peça agora. E completa: “A Medeia é nossa vida. Na semana passada, um homem matou dois filhos e se jogou de um prédio.”

Os ensaios para o espetáculo que estreia dia 6 de maio, no Guairinha, acontecem na ampla sala da casa de Otávio Camargo, sede da Fundação Ilíada Homero. O momento é de marcação das cenas, quando, já com o texto memorizado, decide-se a movimentação de cada uma das atrizes no desenrolar da trama, suas ações e que objetos trarão ao palco.

Na tarde de ensaio acompanhada pela reportagem da Gazeta do Povo, duas cumbucas de metal, uma indiana e uma egípcia, foram incorporadas: quando circundadas por pilões, tangenciando suas bordas, as peças produzem um som contínuo e crescente, que irrompe do silêncio no qual as personagens mergulharam preparando o veneno mortífero. Está nos planos do grupo manusear também um tear e folhas, de modo a criar uma sonoplastia viva.

Helena entrou um pouco mais tarde no projeto, mas sua participação é atuante. A atriz não se contenta em cumprir seu papel e entoar lamentos. Nos bastidores, sugere gestos, tempos, silêncios. É sua a ideia de que Jasão tome a forma de uma sombra, de início maior do que a figura carnal de Medeia, mas que diminui e a iguala em proporção quando discutem e a mulher lhe cobra suas falhas. “Meu figurino podia ser no tom exato do cenário, para eu desaparecer às vezes”, propõe também.

Sua ama se relaciona com Medeia como um “duplo”. Para manter o contraponto, as duas atrizes têm movimentos simultâneos e semelhantes, e Helena está proibida de sair do cenário mesmo quando sua personagem não se envolve na ação – “nem que vire pedra”, em algum lugar visível ao público ela deve permanecer.

“Sou um diretor liberal”, diz Marchioro. Ele ouve as sugestões e acata, ou já responde que está “uma bosta”, aos risos. A seu lado, encontra-se a diretora de movimento Kátia Drummond. Ainda por perto, o assistente de direção Cléber Braga.

Eles estão ensaiando há um mês e meio. Antes, passaram pelo período do trabalho de mesa, decupando o texto, lendo e buscando referências de outras montagens e dos vários mitos associados à Medeia. No início desta semana, começarão os ensaios no Guairinha – a instituição é apoiadora do espetáculo, que tem patrocínio do Mecenato municipal.

“Dono”

Eurípedes foi trangressor ao escrever a tragédia criando um coro feminino e uma personagem, ela mesma, transgressora. Numa de suas primeiras falas, Medeia situa qual o papel feminino na sociedade ateniense de então. Algo como ter de achar um “dono” para o seu corpo (o marido), sem saber se seu caráter será bom ou mau, e a partir disso se esforçar para acertarem a convivência. É uma mulher que reivindica cidadania.

“Medeia era uma bárbara. Veio de uma sociedade matriarcal e se viu, por amor, na sociedade grega onde a mulher não tinha a menor voz, onde o filho é do pai, não da mãe. Ela traiu pai e mãe e matou o irmão por esse homem. Está perdida, sendo banida, e seus filhos com certeza serão mortos”, descreve Claudete. E conclui, sobre essa mulher contraditória: “Matar os filhos não é só vingança, é extinto de proteção.”


Bastidores

Saiba mais sobre a montagem

Cenário

A maquete do cenário, feita pelo figurinista e cenógrafo Ricardo Garanhani, fica à espreita durante os ensaios, num canto da sala. O palco do Guairinha será coberto de tons terrosos e ganhará nichos de alturas variadas, por onde Medeia sobe e desce, conforme os níveis de seu discurso, com picos de ódio e frieza. Haverá também um fio de água vermelha escorrendo, até que forme um alagadiço em torno de uma pequena ilha. O berço das crianças é desvelado ao fundo, quando se afastam algumas tiras de juta pendentes.

Intuitiva

Para descobrir como deveria compor o corpo e a voz de Medeia, Claudete Pereira Jorge diz ter ouvido sua intuição. Também se submeteu aos olhares alheios, que lhe ajudaram a perceber, por exemplo, que Medeia é uma mulher que não se deixa abater, sempre altiva.

Trágica

Claudete já havia atuado em Medeamaterial, a versão de Heiner Mueller, dirigida por Mariana Percovich. Antes, fez À Grega, de Marcelo Marchioro, inspirado no Édipo Rei, e ainda Ilíada – Canto 1, dirigida por Otávio Camargo.

Serviço: Medeia. Guairinha (R. XV de Novembro, s/n.º), (41) 3315-0979. Texto de Eurípedes. Direção de Marcelo Marchioro. Com Claudete Pereira Jorge e Helena Portela. Estreia dia 6 de maio, às 21 horas. Sexta e sáb. às 21h e dom. às 19h. Ingressos a confirmar.


Fonte: Gazeta do Povo